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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Eis a minha alma

Eis a minha alma - nos últimos dias -,
Diante da fria intempérie do teu dorso.
Eis a minha alma - em curso, sozinha.

Eis o que te dou, o que te dei, tão minha:
A alma - terna, líquida, eterna, inquieta,
E a poesia: ávida pétala pendida, tão nua.
VILMA, Ângela. Poemas para Antonio. Salvador: P55 Edições, 2010.


Hoje é o aniversário de Ângela Vilma. Infelizmente não pude abraçá-la porque agora moramos em cidades diferentes, mas, logo cedo, peguei os seus Poemas para Antonio e li alguns dos seus versos como se fizesse uma oração, e pedi a Nossa Senhora da Poesia que abençoe a minha querida amiga alada, de alma terna, líquida, eterna, inquieta.

domingo, 18 de setembro de 2011

A poesia de Lívia Natália

Metonímia

Meu pai colocou meu nome num barquinho que comprou.
É miúdo.
Uma insignificância no meio do oceano de vaga vaga.
É reles.

De uma cruel e desleixada vileza.
De uma pequenez quase lírica.

É reles.

Mal cabem nele dois homens e o isopor para a pescaria.

Mal cabem dois homens.

Talvez somente ele – solitário – e o isopor.

Mas, como no milagre,
o barco que leva o meu nome caminha sobre as águas.


O belíssimo poema acima é uma amostra do livro Água Negra, da poetisa baiana Lívia Natália, ganhadora do Prêmio Banco Capital Cultura e Arte – Poesia deste ano. Bom demais iniciar este domingo ensolarado me banhado nas líricas águas de Lívia, nas quais – como tão bem escreveu Ângela Vilma, na orelha do livro – “o mundo ressoa, com seus símbolos vivos e mortos”. Parabéns a Lívia, essa linda filha de Oxum, por seus versos vigorosos e líquidos, que nos molham, nos cortam e nos fazem levantar a cabeça para o vasto mundo renovados, e em silêncio.