O amor é para os fortes.
domingo, 11 de novembro de 2012
sábado, 3 de novembro de 2012
Dentro
dentro de mim mora uma dor
fina, persistente e calada
eu caminho os caminhos
vivo as histórias
invento todos os dias grandes motivos para cantar
mas dentro
bem dentro de mim habita uma dor
fina
ancestral
e calada
fina, persistente e calada
eu caminho os caminhos
vivo as histórias
invento todos os dias grandes motivos para cantar
mas dentro
bem dentro de mim habita uma dor
fina
ancestral
e calada
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Salvação
a
poesia não me salva da bala do revólver
nem
do açodar do tempo
que
arruína o corpo
no
entanto
a
poesia
e
somente ela
me
salva
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Voz baixa
Uma folha caiu
Durante essa noite
apenas uma folha caiu
Durante as quatro
estações do ano, em cada noite
há sempre uma folha
caindo
Cai, mas nada se ouve:
o silêncio
Como uma pessoa que
viveu solitária
tanto tempo
e acabou por morrer
XIANG, YU. Voz
baixa. In: BONVICINO, Régis; FENG, Yao (Org.). Um barco remenda o mar: dez poetas chineses contemporâneos. São
Paulo: Martins Fontes, 2007. p. 107.
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Hoje
Sou professora. Nunca fui outra coisa. Jamais quis ser outra coisa. E o que me faz amar a minha profissão é o fato de eu poder, junto com outras pessoas, em uma sala tantas vezes precária, construir um discurso sobre algo. Sim, é isso, não ensino nada a ninguém, mas às vezes (nem sempre) consigo instaurar um espaço de diálogo e vamos juntos edificando universos.
domingo, 7 de outubro de 2012
Recado
desfiz distraída
a efígie
que você riscou de mim
em seu caderno
refaço em silencio
o segredo
pra você de mim guardar
no seu caminho
amo você intensamente
– assim humana –
e vou seguindo
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
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