quinta-feira, 4 de abril de 2013
sexta-feira, 29 de março de 2013
Sexta-feira Santa
saudades de minha mãe
da sua moqueca de bacalhau
com pouco azeite e pequenas
fatias de mamão verde
da minha família um
tanto insana
mas sempre minha família
de mim com mais
esperança
de mim
quinta-feira, 28 de março de 2013
Orem por nós, mulheres sábias
Sylvia Plath, Orides Fontela, Virginia Woolf,
Clarice Lispector, Emily Dickinson, Cecília Meireles, Ana Cristina
Cesar, Hilda Hilst, todas, todas elas que morreram, orem por nós.
Mulheres sábias do mundo, que escreveram nossa alma dissoluta, olhem por
nós. Olhem por nós, mulheres benditas, que souberam ditar as orações
mais sábias a esse mundo surdo, esse mundo oco, esse mundo desabitado.
Texto lindo, escrito por minha amiga Ângela Vilma. A minha prece de hoje. Amém.
domingo, 17 de março de 2013
Os defeitos
"Muitas vezes os defeitos são mais
interessantes e comoventes que as belezas. Direi mais: muitas vezes o
defeito é uma circunstância da beleza."
Mário de Andrade, 1924.
Mário de Andrade, 1924.
domingo, 3 de março de 2013
Estrangeiro
Estrangeiro (e estranho) é quem afirma seu próprio ser no mundo que o cerca. Assim, dá sentido ao mundo, e de certa maneira o domina. Mas domina tragicamente: não se integra. O cedro é estrangeiro no meu parque. Eu sou estrangeiro na França. O homem é estrangeiro no mundo.
Vilém Flusser - Natural:mente. p. 47
sábado, 23 de fevereiro de 2013
A demissão de Mayrant
"Leio que a demissão do escritor Mayrant Gallo da Diretoria do Livro e da
Leitura, da Fundação Pedro Calmon/FPC, foi motivada por
"incompatibilidade com a Secult", órgão a que a FPC está vinculada.
Esse argumento me horrorizou, e digo o mínimo.
A atuação de Mayrant Gallo foi extremamente proativa e produtiva. Ter uma atuação proativa e produtiva é, portanto, incompatível com a Secult.
Editais foram publicados, projetos foram avaliados, livros foram escritos e publicados sob a égide da Diretoria do Livro e da Leitura. Então, isso é incompatível com a Secult, sabemos agora.
Livros raros e fundamentais, como "O povoamento da cidade do Salvador", de Thales de Azevedo, e "Jana e Joel", de Xavier Marques, foram republicados em edições fac-símiles. Publicar tais livros essenciais para a cultura baiana é incompatível com a Secult, fica claro agora.
Eventos foram criados para promover o encontro do escritor com o leitor em bibliotecas públicas e, inédito no Brasil, penso eu, para leituras públicas de seus textos pelos próprios autores em espaços públicos. Isso é incompatível com a Secult, registre-se em definitivo.
E a conclusão a que se chega só pode deixar uma impressão de horror diante do interesse oficial demonstrado pela livro e pela leitura."
Esse argumento me horrorizou, e digo o mínimo.
A atuação de Mayrant Gallo foi extremamente proativa e produtiva. Ter uma atuação proativa e produtiva é, portanto, incompatível com a Secult.
Editais foram publicados, projetos foram avaliados, livros foram escritos e publicados sob a égide da Diretoria do Livro e da Leitura. Então, isso é incompatível com a Secult, sabemos agora.
Livros raros e fundamentais, como "O povoamento da cidade do Salvador", de Thales de Azevedo, e "Jana e Joel", de Xavier Marques, foram republicados em edições fac-símiles. Publicar tais livros essenciais para a cultura baiana é incompatível com a Secult, fica claro agora.
Eventos foram criados para promover o encontro do escritor com o leitor em bibliotecas públicas e, inédito no Brasil, penso eu, para leituras públicas de seus textos pelos próprios autores em espaços públicos. Isso é incompatível com a Secult, registre-se em definitivo.
E a conclusão a que se chega só pode deixar uma impressão de horror diante do interesse oficial demonstrado pela livro e pela leitura."
Carlos Barbosa
Recebi a notícia na manhã de quinta, pela amiga Ângela Vilma. Fiquei chocada, indignada, decepcionada. Publico acima as palavras do escritor Carlos Barbosa, que melhor traduzem o meu horror.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
O amor é uma companhia
Eu
trabalho a milhas e milhas e milhas de minha casa. Toda semana eu pego a estrada. São
curvas e curvas e curvas e curvas... Hoje, ao retornar, meu amado me esperava na
rodoviária com um sorriso tão bom, que eu até esqueci do cansaço, do sono
atrasado, da enxaqueca e, enquanto o abraçava, repeti em silêncio os lindos
versos de Caeiro:
“O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir
vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as
árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que
sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com
a cara dela no meio.”
Alberto
Caeiro
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