"Leio que a demissão do escritor Mayrant Gallo da Diretoria do Livro e da
Leitura, da Fundação Pedro Calmon/FPC, foi motivada por
"incompatibilidade com a Secult", órgão a que a FPC está vinculada.
Esse argumento me horrorizou, e digo o mínimo.
A atuação de Mayrant Gallo foi extremamente proativa e produtiva. Ter
uma atuação proativa e produtiva é, portanto, incompatível com a Secult.
Editais foram publicados, projetos foram avaliados, livros foram
escritos e publicados sob a égide da Diretoria do Livro e da Leitura.
Então, isso é incompatível com a Secult, sabemos agora.
Livros raros e fundamentais, como "O povoamento da cidade do Salvador",
de Thales de Azevedo, e "Jana e Joel", de Xavier Marques, foram
republicados em edições fac-símiles. Publicar tais livros essenciais
para a cultura baiana é incompatível com a Secult, fica claro agora.
Eventos foram criados para promover o encontro do escritor com o leitor
em bibliotecas públicas e, inédito no Brasil, penso eu, para leituras
públicas de seus textos pelos próprios autores em espaços públicos. Isso
é incompatível com a Secult, registre-se em definitivo.
E a conclusão a que se chega só pode deixar uma impressão de horror
diante do interesse oficial demonstrado pela livro e pela leitura."
Carlos Barbosa
Recebi a notícia na manhã de quinta, pela amiga Ângela Vilma. Fiquei chocada, indignada, decepcionada. Publico acima as palavras do escritor Carlos Barbosa, que melhor traduzem o meu horror.